O peso da Obsolescência da Tecnologia na Gestão de Segurança Condominial

Copa do mundo de 1958, o extraordinário e lendário jogador Garrincha pergunta ao técnico Feola, logo após este informar sobre uma jogada ensaiada: “Entendi; mas o senhor já combinou com os russos”?

Em pleno ano que ocorrerá a Copa na Rússia 2018, cabe novamente a pergunta aos técnicos do PROCON – Instituo de Defesa do Consumidor: “Combinaram com os Russos”? Creio que este conceito também se aplica ao artigo do Código de Defesa do Consumidor (CDC), qual seja:

“Art. 32 CDC: Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.
Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da lei”.

Entendo que há uma brecha legal enorme no referido artigo. “enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto” e ainda mais no parágrafo único: cessadas a produção e importação manter por período razoável (quem define este período?), na forma da lei (qual?). Sou da época que geladeiras duravam 50 anos.

A motivação deste artigo tem origem no desabafo de um profissional, Mestre em Tecnologia da Informação, inconformado com um determinado fabricante japonês por deixar faltar peças de reposição para um notebook com mais de 05 anos de fabricação. Conclui afirmando: “O respeito oriental pelo consumidor, fator crítico para o sucesso da marca, foi jogado no lixo”.

Desapareceram nos últimos 10 anos

Além dos telefones públicos, mecanismos de gravação e reprodução como fita K7, fitas VHS, CD, DVD, lâmpadas incandescentes, tevês de tubo, aparelhos celulares, câmeras, relógios de pulso, câmera analógica do tipo Preto & Branco, chips de computadores de diversos padrões, porteiros (cara crachá) e o futebol brasileiro (para muitos este item deve ser o que deixa mais saudades). Até podem ainda ser encontrados no mercado e aceitam manutenção, porém a relação custo x benefício é favorável à substituição por modelos atuais, seja por custo ou por tempo que se perde na busca por peças de reposição.

A velocidade com que muitas coisas e até profissões tornam-se obsoletas impressionam a muitos que cresceram tendo tempo para apreciar até o sabor das comidas. Hoje tudo é “fast”. Outros exemplos que podem identificar tendências: ainda no campo da informática a atualização de softwares de forma permanente e automática; no segmento da indústria automobilística temos em tempos recentes o fim dos carburadores e já de muito tempo o lançamento de modelos de carros do ano seguinte em meados do ano que o antecede (marca X ano 2019/2018). Aparelhos de comunicação móvel – Smartphones, que fazem de tudo, inclusive telefonam e comunicam por mensagens eletrônicas costumam ser substituídos, em média, a cada 02 anos, se muito.

Duas Formas da Obsolescência

 

Obsolescência Perceptiva

 

A força do mercado nos leva a substituir um bem ainda útil, em bom estado e com funcionamento adequado, apenas por conta do novo modelo possuir diferença no design ou uma função nova.

Quantas calculadoras, aparelhos de som e tantos outros eletrodomésticos, como muitos smartphones foram substituídas devido ao novo modelo apresentar alguns pequenos detalhes, que nunca foram ou tampouco serão utilizados pelo comprador.

Obsolescência Planejada

 

Hoje muito presente em vários recursos tecnológicos.

Com foco nos sistemas eletrônicos de segurança ficam muito claros com os exemplos:

– Câmeras com visualização e gravação em Preto & Branco x Câmeras Coloridas.

– Câmeras Analógicas x Câmeras Digitais x Câmeras Hibridas X Câmeras IP

– Gravações em Fitas K7, VHS x HD x CD x…x Nuvem. Com respectiva evolução da capacidade de armazenamento.

– Controladoras de acesso da tecnologia de reconhecimento por código de barras aos meios com rádio frequência, atingindo atualmente a identificação através da aplicação de diversas tecnologias biométricas.

– Centrais de Segurança: Locais x Remotas.

 

Seis ondas de inovação de 1785 a 2020

A próxima onda ocorrerá com uma faixa inferior a 20 anos. Os aparelhos ficarão obsoletos na metade do tempo de sua vida útil.

INOVAÇÃO

Adaptação e tradução da fonte: Natural Edge.

A próxima onda ocorrerá com uma faixa inferior a 20 anos. Os aparelhos ficarão obsoletos na metade do tempo de sua vida útil.

 

Existe uma forte tendência mundial no sentido de substituição do padrão de propriedade, comercialização e/ou financiamento de bens de forma geral. Há uma consistente migração na América do Norte e Europa do modelo de posse para locação, pay-per-use, comodato, dentre outras opções. Esta cultura ainda está embrionária no Brasil, onde sonhos de consumo ainda correspondem à compra de carros, imóveis, eletroeletrônicos em geral.

 

Importante que o Gestor de Segurança esteja muito atento aos impactos que esta realidade que já impacta: no planejamento anual; na previsão de investimentos (budget); no Plano Anual de Manutenção e Controle de todos os Recursos Materiais aplicados no S I S – Sistema Integrado de Segurança. Dimensionamento dos valores humanos, função da automatização de processos; Recursos Técnicos e Tecnológicos, função da já citada acelerada obsolescência de hardwares, softwares e da infraestrutura e em consequência destes fatores anteriores caberá à atualização de todas as ferramentas normativas.

Conclusão

Evidentemente devemos deixar os russos fora desta demanda. Se há uma legislação que nos favoreça juridicamente tal deverá ser explorado ao máximo com os fornecedores. Contudo Sun Tzu nos recomenda em seu tratado sobre a Arte da Guerra que: “A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”.

O inimigo certamente a “obsolescência tecnológica”. Vencer o mercado sem enfrenta-lo corresponderá a transferir tais ônus para terceiros e contrata-los com cláusula de desempenho (intolerável; aceitável e esperado).

Artigo: Por André de Pauli – Março 2018.                                                                        [email protected]

 

 

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