Síndicos investem mal o fundo de reserva indica estudo

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Levantamento da LAR.APP com condomínios revela que síndicos investem mal os recursos do fundo de reserva

Poucos setores da economia brasileira conseguem atuar com tanta estabilidade na previsão orçamentária como a administração de condomínios. Outra vantagem do setor é a geração de caixa constante característica de serviços essenciais à população, que, no caso dos condomínios, ainda é reforçada pela obrigatoriedade de arrecadação de fundo de reserva. Porém, mesmo com essa blindagem às oscilações da economia, os condomínios investem mal seus recursos. A constatação é de um levantamento feito pela administradora de condomínios LAR.APP sobre o perfil de investidor dos síndicos.

Realizado a partir de uma amostragem de 20 edifícios residenciais localizados na cidade de São Paulo e Curitiba, com taxas condominiais mensais que variam de R$300,00 a R$3.000,00, o levantamento aponta que 50% dos condomínios sequer aplicam seus fundos de reserva em produtos financeiros. Ou seja, os síndicos optam por deixar a economia feita pelos moradores parada no banco sendo depreciada pela inflação. Entre os outros 50%, a grande maioria aplica em títulos de renda fixa com rentabilidade de até 80% do CDI. Apenas um condomínio pesquisado diversifica seus investimentos.

“Mesmo condomínios de alto padrão, em que provavelmente os moradores, enquanto pessoa física, têm acesso a investimentos de maior retorno, não buscam ganhos financeiros para os recursos do prédio onde vivem”, afirma José Vanni, sócio-fundador da LAR.APP e responsável pelo estudo.

Para se ter ideia do potencial desse público como investidor, somente no Estado de São Paulo os condomínios arrecadam mais de R$ 16 bilhões ao ano. São mais de 60 mil condomínios no Estado. “Grande parte da dificuldade em se fazer melhores investimentos está na falta de acesso, transparência e agilidade apresentada no atendimento do banco a esse tipo de cliente diferente, que são os condomínios”, diz Vanni.

Atualmente, no Brasil, a contribuição para o fundo de reserva é de 5% a 10% do valor da taxa condominial. Isso significa que em um condomínio com a taxa no valor de R$ 800 por mês, a contribuição para o fundo de reserva fica entre R$ 40 e R$ 80. Em um empreendimento com 200 apartamentos, esse valor gira entre R$ 8.000 a R$16.000 ao mês, podendo chegar a R$192.000 por ano.

De acordo com o estudo da LAR.APP, 30% dos condomínios mapeados pretendem investir em melhorias no edifício. Já os demais têm o objetivo de utilizar os ganhos extras para reduzir a taxa condominial. “As duas opções trazem maior satisfação a todos os moradores e mostram que o dinheiro gasto com o condomínio está sendo bem administrado”, complementa o empresário.

POUCA TRANSPARÊNCIA

Atualmente, o modelo mais comum de operação bancária nas administradoras de condomínios é o de conta ‘pool’, em que, ao invés do condomínio ter as reservas em seu nome, ele delega à administradora à guarda de seus recursos, geralmente em uma conta bancária compartilhada entre todos os clientes.

Exemplo: se uma administradora que opera em conta ‘pool’ tem 500 condomínios clientes, cada um com R$ 50 mil no fundo de reserva, ela guarda, em sua conta bancária, R$ 25 milhões de reais. Os condomínios não têm sequer acesso de consulta diretamente a essas contas, devendo confiar no saldo informado pelas suas administradoras todo mês.

O modelo é arriscado, pois o condomínio não tem controle direto sobre esses fundos, e pode sofrer perdas significativas no caso de falência ou bloqueio dos bens da sua administradora. Além disso, a transparência é comprometida, dado que o controle da posição de caixa do condomínio é feito de modo gerencial, e não efetivamente bancário.

No modelo de conta ‘pool’ é raro que a gestora dos fundos, no caso, a administradora, repasse ao seu cliente os rendimentos das aplicações feitas por ela, representando mais um lado negativo dessa operação.

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